É possível acrescentar altas doses de afeto aos processos educativos formais. Um dos exemplos de sucesso dessa reunião é o projeto Cartas com Afeto, da professora Mércia Horta, do Colégio Máximus – Santa Inês. Em tempos de conexão ininterrupta e mensagens instantâneas,  o projeto consistiu, justamente, em uma troca de cartas (à moda antiga) entre estudantes, seus amigos e outros membros da comunidade escolar.

Duas notícias de jornal e um projeto institucional

Professora Mércia Horta, do Colégio Maximus Santa Inês.A proposta nasceu de uma intersecção pouco provável. De um lado, duas notícias de jornal: os bloqueios do Whatsapp, que deixaram os estudantes ansiosos e a história de um morador de Belo Horizonte que distribuía correspondências (ator e jornalista Ramon Brant, idealizador do Chá com Cartas). De outro, o compromisso com o Projeto Institucional 2016 – Legal é ser responsável: afeto, eu compartilho. No meio disso, Mércia enxergou uma oportunidade de trazer afeto para o estudo dos gêneros literários.

Eles sempre ficavam muito ansioso com relação aos bloqueios do aplicativo. Parecia o fim do mundo. Foi então que eu pensei que poderíamos usar cartas para lembrá-los que existe vida e comunicação fora da rede.”

 

A princípio o projeto ficaria restrito aos estudantes da 1ª série do Ensino Médio, que é justamente o ano em que trabalham o gênero literário “cartas”, nas aulas de redação. Mas conforme foram estabelecendo as regras e condições, os estudantes decidiram convidar as outras séries e alguns funcionários para participar.

Como se desenvolveu o projeto das cartas

O combinado era simples: cada aluno deveria escrever uma carta anônima por mês para um destinatário escolhido por eles. Alguns escolheram amigos, outros escolheram funcionários do colégio. As cartas deveriam ser colocadas em uma caixa para serem entregues aos destinatários. No final do ano, eles fariam a “revelação”, contando quem era o remetente.

Mércia conta que foram muitas surpresas ao longo do caminho: primeiro, o desejo de incluir mais estudantes e funcionários no projeto. Depois, a manutenção da frequência e o empenho em escrever cartas cada vez mais elaboradas.

Alguns escreviam mais de uma carta, outros colocavam mimos e agrados, como bombons, por exemplo. Vimos florescer um sentimento de afeto entre todos. Eles esperavam ansiosos pelo retorno de suas cartas, e se empolgavam para escrever cada vez mais.”

Os resultados de se trabalhar com afeto

Com o projeto, a professora Mércia trabalhou a Habilidade 26 de Linguagens, da Matriz de Referência do Enem:

LIN – C8 – H26: Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.

Os resultados do projeto foram aparecendo ao longo do ano. O relacionamento entre estudantes e funcionários se tornou muito mais afetivo e atencioso. Essa atenção com os colegas é algo que toda a escola sentiu.

A qualidade dos textos também mudou. Com o passar do tempo, a professora percebe uma melhora significativa na escrita dos estudantes. Além disso, a leitura atenta pode ser percebida em todas as as disciplinas, com conteúdos específicos de cada material.

 

Compartilhe
  • Enviaremos um email para agendarmos o horário mais conveniente para você