No dia 28/11, foram divulgados os Microdados do Enem 2016, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A publicação era ansiosamente esperada por pesquisadores e gestores, pois contém informações sobre os itens da avaliação, as notas, as respostas ao questionário socioeconômico respondido pelos inscritos, entre outras. Para entender melhor a importância dessa publicação, separamos alguns usos dos Microdados do Enem para que você conheça a amplitude de análises que esses dados permitem.

Os Microdados do Enem nas pesquisas acadêmicas

Pesquisadores de todo o Brasil podem usar os Microdados do Enem para embasar suas pesquisas nas mais diversas áreas. Um exemplo interessante é a pesquisaRenda familiar e escolaridade dos pais: reflexões a partir dos microdados do ENEM 2012 do Estado de São Paulo.”, realizada pelo Professor André Pires, da PUC Campinas.

Os resultados apontam o impacto da origem social dos estudantes na diferenciação de suas aspirações e desempenho no Enem. A pesquisa permitiu afirmar, por exemplo, que possuir ” renda familiar acima de 20 salários mínimos ou ter um dos pais com curso superior aumentam substancialmente as chances de os alunos fazerem o exame em uma idade considerada como adequada, de não ter parado de estudar no Ensino Médio, de ser de uma determinada cor; de aspirar entrar no Ensino Superior Público e ter condições objetivas de fazê-lo e de sair melhor no desempenho nas provas objetivas e na redação.”.

Uma ampla base para decisões pedagógicas

Usar os Microdados do Enem não é tarefa fácil. Empresas de processamento de dados podem auxiliar nessa tarefa. A Tuneduc, por exemplo, desenvolveu em 2014 uma plataforma chamada Módulo Enem. Essa ferramenta disponibiliza relatórios pedagógicos e de gestão. Com esse material é possível fazer uma análise completa.

Do ponto de vista pedagógico, a ferramenta apresenta um acervo das questões e a vinculação com a Matriz de Referência do Enem. Além disso, os professores têm acesso às prioridades de estudo, que são as habilidades e competências mais problemáticas. Os gestores conseguem criar grupos de comparação regionais ou nacionais para contextualizar os dados de sua escola. Assim, conseguem entender a relação do desempenho da sua escola no contexto regional e nacional. Com isso, o a coordenação e o corpo docente podem planejar atividades e projetos mais eficientes e com maior chance de sucesso.

 

A relevância do jornalismo de dados

O Jornalismo de dados descreve o uso de ferramentas e técnicas diferenciadas para contar histórias. Segundo o Data Journalism Handbook, o termo define o comprometimento com a amplitude e profundidade da pesquisa de dados para composição de matérias.

O jornalista Marcelo Soares, por exemplo, usou os Microdados do Enem para fazer um estudo do perfil dos candidatos desclassificados por desrespeitarem os direitos humanos na redação. A pesquisa Os eliminados na redação do Enem não são quem você imagina apresenta uma leitura surpreendente do que se esperava desses candidatos na prova de 2015. A partir da análise do perfil desses candidatos, Soares traça uma série de linhas e conexões possíveis entre as condições sociais e a dificuldade em discutir a questão da violência contra a mulher.

O impacto para as decisões em políticas públicas

Os Microdados do Enem, assim como outros dados abertos, permitem que a administração pública faça avaliações cada vez mais eficientes dos projetos implementados. É justamente a partir da análise desses dados que o governo consegue decidir as áreas em que são necessários mais ou menos investimentos. Em Educação, o grande acervo de dados gerados pelos questionários e pelas respostas dos estudantes em provas como o Enem e outras avaliações externas permitem que, a partir de devolutivas pedagógicas, sejam priorizadas as áreas e assuntos mais urgentes.

Trabalhos como o Foco Brasil, visam o empoderamento das redes para tomar decisões cada vez melhores. Acompanhando o avanço das avaliações padronizadas e da informatização das redes de ensino, as devolutivas pedagógicas visam aproximar o uso de indicadores da realidade das salas de aula. A ideia é agrupar, em uma única plataforma, informações pedagógicas, demográficas, socioeconômicas e de infraestrutura. O uso dos indicadores permite que os gestores públicos aloquem melhor os recursos e que os coordenadores e professores aprimorem suas práticas pedagógicas, acompanhando e personalizando o ensino.

O compromisso com a transparência

 Os estudantes, como todos os cidadãos, têm direito aos dados abertos das avaliações como o Enem. Isso garante que não houve qualquer tipo de manipulação das respostas assinaladas. É uma forma de responder à responsabilidade de transparência no atendimento às necessidades dos cidadãos. Os Microdados do Enem, liberados e processados de forma que as pessoas tenham acesso, permitem que se faça um acompanhamento e uma avaliação da qualidade das decisões em Educação. Para os estudantes e candidatos que fazem o exame, é uma forma de assumir uma postura politicamente ativa, um papel de agente de transformação social através, justamente, da fiscalização do Ciclo das Políticas Públicas.

 

 

Compartilhe
  • Enviaremos um email para agendarmos o horário mais conveniente para você