Especial

Avaliação Diagnóstica Enem

Identificando necessidades de aprendizagem

 

Não conhece a série ou perdeu algum material? Navegue pelo sumário abaixo e fique por dentro sobre como montar uma Avaliação Diagnóstica Enem na sua escola.


 

No texto anterior, levantamos algumas possibilidades para que você tenha os itens necessários para uma boa avaliação diagnóstica. Independente do caminho que você escolheu (elaborar ou usar questões de edições anteriores do Enem), agora é a hora de montar a avaliação.

Se você acha que é só selecionar alguns itens aleatórios de cada habilidade e pronto, você está muito enganado! Para coletarmos informações fiéis a partir da avaliação diagnóstica, precisamos nos atentar a alguns critérios.

Número de questões e tempo de prova

Nos textos anteriores já falamos um pouco sobre isso. A avaliação diagnóstica Enem não deve ser vista como um simulado. Desta forma, não recomendamos que você elabore uma avaliação com 90 questões e tempo de prova superior a quatro horas. Essa extensão impõe outros desafios ao aluno além da resolução das questões e não desejamos que nosso diagnóstico seja contaminado pelo cansaço ou falta concentração dos alunos.

Qual seria, então, o tempo ideal para a avaliação diagnóstica Enem?

A nossa sugestão é que a avaliação diagnóstica não tenha mais que 90 minutos de duração. Em outras palavras, o ideal é limita-la a 30 questões.

Se você pretende ter um diagnóstico das quatro áreas avaliadas pelo Enem, você tem outra decisão a tomar. Você pode elaborar uma única avaliação de 30 questões para avaliar as quatro áreas, elaborar quatro avaliações de 30 questões (uma por área) ou algum cenário intermediário. Cada decisão tem seu pró e contra. Caso opte por uma única avaliação diagnóstica, você conduzirá apenas uma aplicação, no entanto diagnosticará a situação dos alunos em apenas algumas habilidades de cada área. Por outro lado, caso opte por quatro avaliações diagnósticas, deverá reservar quatro momentos de aplicação (preferencialmente em dias distintos). O lado positivo é que, desta forma, você obterá um diagnóstico bem mais amplo.

Número de questões por habilidade

Suponhamos que tempo não seja um problema e que você tenha optado por elaborar quatro avaliações diagnósticas Enem (uma por área do conhecimento). Como vimos no primeiro material da série, uma avaliação diagnóstica de 30 questões não significa avaliar 30 habilidades. Vamos entender isso um pouco melhor.

Imagine que você montou uma avaliação diagnóstica em que cada questão se propôs a avaliar uma habilidade. Agora imagine que a última questão avaliava a habilidade H3. Ao aplicar a avaliação, muitos alunos não souberam administrar o tempo e, para não entregarem questões em branco, chutaram a última questão. Analisando os resultados, você irá concluir que o desempenho dos alunos na habilidade H3 é muito baixo, mas isso não é necessariamente verdade.

Além da posição da questão na prova, uma questão por habilidade traz um outro problema. Imagine que, nessa mesma avaliação, a questão que se propunha a avaliar a habilidade H1 era muito fácil e todos os alunos acertaram. A análise dos resultados indicará que a habilidade está muito bem consolidada, quando, na verdade, a conclusão certa seria que, os alunos dominam a habilidade H1 em contextos simples.

Para garantir um diagnóstico minimamente preciso, sugerimos pelo menos três questões por habilidade. Isso significa que, em uma avaliação diagnóstica de 30 questões, você avaliará, no máximo, 10 habilidades.

Diversidade das questões de uma mesma habilidade

Acabamos de ver o problema de um diagnóstico embasado em uma única questão de nível de dificuldade fácil. No entanto, utilizar três questões com nível de dificuldade fácil acarretaria no mesmo problema. E, claro, que três questões difíceis também levariam a um problema semelhante.

Assim, em uma avaliação diagnóstica Enem com três questões por habilidade, sugerimos que um especialista da área selecione uma questão de dificuldade baixa, uma de dificuldade média e uma de dificuldade alta. Essa composição pode inclusive auxiliar no diagnóstico.  O ponto de partida para trabalhar uma habilidade que só é dominada em contextos simples é bem diferente do ponto de partida para trabalhá-la quando ela é dominada em contextos de média complexidade.

Outro aspecto de atenção é a diversidade de contextos, principalmente entre questões que avaliam uma mesma habilidade. Como exemplo, vamos imaginar três questões da habilidade “H5 – Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano” de Ciências da Natureza. Se as três questões exigirem que o aluno calcule a tensão em circuitos, não estaremos avaliando a habilidade em toda a sua extensão. Nesse caso, por exemplo, seria interessante mesclar questões de cálculo, questões conceituais e que envolvam diferentes conceitos da eletricidade. Também é importante garantir que uma questão não dê dica ou auxilie a resolução de outra.

Ordem das questões

Após a definição de quais serão as questões que comporão a avaliação, finalmente, vamos à estrutura.

Pode parecer apenas um detalhe, mas a ordem das questões é um aspecto fundamental na elaboração da avaliação diagnóstica. Nas avaliações padronizadas, como o Enem, as questões são organizadas em blocos. Cada bloco é composto por questões de diferentes habilidades e com dificuldades variadas. Uma dica é, dentro do bloco, começar com questões mais fáceis, depois passar para questões de média complexidade e, por fim as difíceis. Por exemplo:

Bloco 1 contendo 5 questões

  • Questão 1: Habilidade H1; Fácil
  • Questão 2: Habilidade H12, Fácil
  • Questão 3: Habilidade H5; Média
  • Questão 4: Habilidade H30; Difícil
  • Questão 5: Habilidade H22, Difícil

Bloco 2 contendo 5 questões

  • Questão 6: Habilidade H28; Fácil
  • Questão 7: Habilidade H5, Fácil
  • Questão 8: Habilidade H16; Média
  • Questão 9: Habilidade H1; Média
  • Questão 10: Habilidade H12, Difícil

O conceito por trás dessa estrutura é bastante simples. Ela impede que o aluno se depare com uma longa sequência de questões difíceis ou questões de uma determinada habilidade que ele pode ter dificuldade. Essa situação poderia desmotivá-lo, comprometendo o desempenho no restante da avaliação.

Próximos passos

Com este material, você já está apto a montar a avaliação diagnóstica Enem. Feito isso, é só aplicar na sua escola. No próximo material, já partiremos para a análise dos resultados.

Acesse também outros materiais da série! 


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