No dia 20 de março, o governo anunciou a comissão responsável pela análise do Enem de 2019. Segundo a portaria publicada, a comissão será responsável por fazer uma leitura transversal dos itens do Banco Nacional de Itens (BNI) a fim de garantir a “pertinência com a realidade social” (palavras de Marcus Vinicius Rodrigues, presidente do INEP na data da publicação). A medida surgiu como uma crítica do governo a questões recentemente utilizadas no exame, como a que aborda o dialeto pajubá. O Ministério Público Federal questionou pontos da portaria e solicitou esclarecimentos. Desta forma, a análise do Enem ainda para o ano de 2019 é incerta.

 Apesar das incertezas em relação à instauração da comissão e à execução do trabalho, neste texto buscamos elencar quais seriam as possíveis implicações da análise do Enem nas diversas etapas que culminam com a aplicação do exame.

Análise do BNI versus Análise do Enem 2019

O primeiro ponto a se levantar é que a portaria do governo propõe uma análise do Banco Nacional de Itens (BNI) em um prazo de 10 dias.

O BNI é composto por milhares de questões que foram elaboradas desde que o exame adota seu formato atual. Desta forma, sua análise e emissão de parecer para cada questão é inviável dentro do prazo proposto.

Como alternativa, pode-se discutir a análise do Enem 2019, ou seja, dos 185 itens que comporão o exame deste ano. No entanto, essa medida também merece uma análise de viabilidade.

Tempo hábil para a análise do Enem 2019

Embora o parecer de 185 questões seja muito mais rápido do que o de milhares de questões, devemos destacar o tempo disponível para isso.

O Enem 2019 será aplicado nos dias 3 e 10 de novembro, mas a distribuição dos malotes com os cadernos de prova inicia-se um mês antes. Assim, a distribuição do material estaria prevista para o fim de setembro/começo de outubro.

Seguindo o cronograma reverso, para serem distribuídos, os cadernos de prova devem estar impressos e verificados ainda em setembro. Embora nunca se tenha divulgado o tempo para impressão e preparação do material, podemos atribuir um período considerável por se tratar de um exame com quase 6 milhões de inscritos.

Antes de ser impresso, o Enem deve ser elaborado. Por elaboração podemos entender o processo de seleção dos itens da prova. Nesse processo, uma comissão formada por professores especialistas capacitados para esse fim escolhe dentre os itens disponíveis no BNI aqueles que comporão o Enem.

O processo de elaboração do Enem não pode ser considerado simples e rápido. Cada questão adicionada ao caderno de prova é estrategicamente pensada de forma a cobrir a Matriz de Referência do Enem e o espectro de proficiências.

Veja aqui sobre alguns dos cuidados na elaboração de uma avaliação.

Caso a comissão de análise do Enem decida por analisar apenas o exame de 2019, sua ação estaria alocada entre as etapas de elaboração do exame e de impressão dos cadernos de prova. A decisão por vetar uma ou mais questões neste momento implicaria em uma nova convocação dos especialistas para a elaboração de uma prova praticamente nova.

“(…) alterações depois do instrumento montado podem modificar o desenho psicométrico da prova e os parâmetros que garantem o cálculo das proficiências.” (Observação divulgada pelo próprio MEC para justificar a análise do BNI ao invés da análise do Enem 2019)

Autonomia dos professores especialistas

De forma paralela a questão logística apresentada, é importante mencionar que a ação da comissão formada por três pessoas pode desagradar e ferir a autonomia dos professores especialistas responsáveis pela elaboração das questões do Enem. Segundo análise dos currículos Lattes, dois dos membros da comissão possuem formação em Filosofia e um em Direito. Adicionalmente, nenhum deles atua como professor da educação básica.

Durante o processo de elaboração e revisão de itens, as questões passam por pelo menos três professores da área que devem estar atuando na educação básica. Dentre uma série de outros critérios, os professores julgam se o item atende a uma habilidade da Matriz de Referência, possui texto adequado, vocabulário e situações nacionalmente conhecidos e se é isento de informações preconceituosas ou controversas.

Como estão as discussões na sua escola?

Com certeza a portaria divulgada pelo governo foi alvo de discussões na sala dos professores da sua escola. Que tal usar o tema como gancho para uma discussão sobre as questões do Enem?

Se sua escola possui a plataforma Modulo Enem, ela tem acesso a um banco catalogado com todas as questões que já foram utilizadas no exame. Além de poder discutir cada uma delas, os professores também podem ver a proporção de alunos da escola que assinalou cada alternativa, gerando uma discussão ainda mais rica sobre a pertinência e objetivo de cada questão.

Quer conhecer mais sobre o Módulo Enem? São mais de 10 relatórios úteis para professores e gestores. Preencha o formulário e converse com um especialista em dados educacionais.


 

 

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