As primeiras discussões sobre a BNCC começaram em 2015. Desde então, já foram três versões, milhões de contribuições e, enfim, a aprovação do documento.

Se você está por fora do tema, separamos aqui tudo o que você precisa saber sobre a BNCC para não entrar em 2019 com dúvidas!

O que é a BNCC?

BNCC é uma sigla para Base Nacional Comum Curricular. Ela nada mais é que um documento que define as aprendizagens que todos os alunos do Brasil devem desenvolver em cada etapa da Educação Básica.
Embora o termo tenha começado a ser discutido recentemente, a ideia de se ter uma base para orientar o currículo de todo o país começou ainda na década de 1990 com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). No artigo 26 da LDB, encontramos a seguinte redação: “Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.” (Redação do artigo modificada em 2013)
Em dezembro de 2017, a versão final da BNCC foi homologada pelo MEC e espera-se ela oriente não só os currículos das escolas públicas e privadas, mas também a formação dos professores, a elaboração do material didático e as avaliações.

Por que a BNCC é importante?

A existência da BNCC não é exclusividade do Brasil. Atualmente, documentos análogos a BNCC já existem em diversos países, como o Common Core adotado para Inglês e Matemática nos Estados Unidos.
A BNCC tem papel fundamental em um país de dimensões continentais como o Brasil. Ela visa garantir que todos os alunos (independente da região ou classe social) tenham direito a aprendizagens consideradas essenciais. Vale ressaltar que isso não quer dizer que todas as escolas terão um currículo único e que perderão a autonomia ou a regionalização. A BNCC deverá ocupar parte do currículo e ainda existirá espaço para flexibilizações e regionalizações.

Qual a diferença entre BNCC e os PCNs?

Antes de diferenciar a BNCC dos PCNs, é necessário diferenciá-la do conceito de currículo.
Enquanto o currículo pode ser visto como toda a maneira de operar de uma escola (carga horária, disciplinas, linha pedagógica, avaliação, etc.), a BNCC é apenas uma parte desse conjunto, mais especificamente a parte que lista as aprendizagens que o aluno deve ter em cada momento da vida escolar.

 

Diagrama BNCC

 

Feito esse esclarecimento, podemos perceber como os PCNs se aproximam muito mais do conceito de currículo do que a BNCC, pois eles extrapolam os objetivos de aprendizagem, orientando em outros âmbitos como a avaliação que deve ser feita pelo professor. Também vale destacar que a BNCC traz um caráter elucidativo aos PCNs, já que expõe de maneira mais clara os objetivos de aprendizagem e o momento exato em que se espera que os alunos os desenvolvam.

Como foi elaborada a BNCC?

Podemos dividir a elaboração da BNCC em etapas. Uma primeira versão construída por especialistas foi aberta ao público e contou com mais de 12 milhões de contribuições. Com base nessas contribuições, foi elaborada uma segunda versão, que foi debatida em 27 seminários (um por unidade da federação) e recebeu colaborações de mais de 9 mil professores e especialistas. Após essa etapa, elaborou-se a versão final, que foi entregue ao Conselho Nacional de Educação (CNE) e debatida em cinco audiências públicas (uma por região). Por fim, a versão final foi homologada pelo MEC em dezembro de 2017.
Como podemos ver, a elaboração da BNCC foi um processo democrático, que contou com a participação de professores e especialistas de todo o Brasil.

Como fica o Enem (e outras avaliações externas) com a BNCC?

O normal seria que as avaliações externas e suas matrizes de referência fossem concebidas após a existência de uma BNCC. Afinal, primeiro deve-se postular o que deve ser aprendido para depois postular o que (dentre as aprendizagens) será avaliado. No entanto, não foi assim que as coisas aconteceram no Brasil, já que a BNCC é algo recente, enquanto as avaliações externas começaram a ser aplicadas na década de 1990.
O INEP (instituição responsável pelas avaliações externas de nível nacional) ainda não se manifestou sobre a reformulação ou sobre ajustes nas matrizes de referência adotadas nas avaliações, mas é possível que isso aconteça com a implementação da BNCC.

Ainda não conhece a matriz de referência do Enem? Confira aqui!

Como fica a atuação do professor com a BNCC?

Primeiramente, devemos reforçar que a BNCC não é sinônimo de currículo, portanto não há motivos para o professor se sentir limitado devido a existência desse documento. A construção do currículo é um processo que vai muito além da consideração da BNCC e os professores podem (e devem) participar ativamente desse processo.
Também devemos lembrar que a BNCC é um documento que traz o “o que” e o “quando” os objetivos de aprendizagem devem ser desenvolvidos. Ao professor cabe parte fundamental do processo de ensino-aprendizagem, que é o “como” esses objetivos serão alcançados.

Como saber mais sobre a BNCC?

Para saber mais sobre a BNCC, visite o site oficial . Nele você poderá acessar o documento e materiais de apoio.
Caso queira assistir uma série de vídeos sobre a BNCC, preparamos uma playlist com os principais pontos do documento esclarecidos pela especialista Kátia Smole. Acesse aqui.

 

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