Muito se fala sobre o uso de dados de aprendizagem no planejamento ou replanejamento de aulas, mas as possibilidades de uso desse tipo de dado não param por aí. Você já parou para pensar que os resultados dos alunos podem refletir mais do que a simples aprendizagem deles? É exatamente sobre isso que vamos falar neste texto.

Dados de aprendizagem

Primeiramente, precisamos discutir sobre o que são dados de aprendizagem.

Costumamos chamar apenas os resultados das avaliações de dados de aprendizagem. Isso é ainda mais frequente quando estamos tratando do Ensino Médio. No entanto, os dados de aprendizagem permeiam toda a prática docente.

Podemos considerar dados de aprendizagem: o desempenho dos alunos nas lições, o comportamento na sala de aula, a frequência nas aulas e, claro, os resultados das avaliações internas e externas.

Como analisar dados de aprendizagem

A primeira coisa a se destacar neste tópico é que nem todo dado precisa ser tabulado, comparado e esmiuçado para ser analisado. Em alguns casos, a simples percepção (ou feeling) d0 professor é suficiente. No meu caso, por exemplo, passei anos achando que os desenhos sobre divisão celular que o material didático apresentava eram o suficiente. Nas avaliações sobre o tema, era comum os alunos replicarem corretamente os desenhos e as explicações. Certo dia, esclarecendo uma dúvida pontual de um aluno sobre genética, fiz uma pergunta sobre divisão celular e percebi que a interpretação dos desenhos era totalmente equivocada. Naquele mesmo dia, conversei com outros alunos e percebi que a dificuldade era generalizada e nunca havia sido identificada pelos instrumentos de avaliação!

Apesar do exemplo bastante pontual sobre a minha prática como docente, chamo a atenção para o fato de eu ter obtido um dado importante a partir de uma conversa. Esse é o ponto aqui. A análise de dados e a avaliação da prática docente são processos contínuos e que, nem sempre, exigem ferramentas robustas.

O uso de dados de avaliações

Apesar de tudo que permeia a vida do professor servir como fonte de dados, não podemos negar que a avaliação é uma peça de destaque neste universo.

Costumamos falar sobre análise dos resultados de avaliações no âmbito do planejamento ou do famoso “ajuste de rota”. Será que preciso voltar para determinado tema? Como estão os conhecimentos prévios dos alunos? Em geral, essas são as principais perguntas que fazemos diante dos resultados. No entanto, tem outra pergunta bastante importante: “Novamente os alunos estão errando determinado tópico. Será que tem algo errado com a minha aula? O que posso melhorar?“.

Dados de avaliações externas

Não sabe o que são avaliações externas? Confira aqui.

Infelizmente, é difícil (mas não impossível) refletirmos sobre a nossa prática com base em dados de avaliações internas. Isso acontece, pois, em geral, nós mesmos somos responsáveis pela elaboração do instrumento. Mesmo sem querer, elaboramos avaliações enviesadas, que cobram do aluno respostas direcionadas para a maneira como abordamos determinado tópico. Por exemplo, se durante as aulas e lições, eu indiquei os esquemas de divisão celular, é natural que os alunos saibam representá-los na avaliação. No entanto, diante de uma pergunta fora do tema da divisão celular, mas que exige a interpretação dos esquemas, é possível identificar uma dificuldade.

É nesse contexto que as avaliações externas surgem como fonte riquíssima de dados de aprendizagem! Por serem elaboradas por uma terceira parte (externa a relação professor-aluno), ela é capaz de fornecer insights (ou ideias) que nem imaginávamos.

Análise de dados no Módulo Enem

Se você é professor do Ensino Médio, é provável que a avaliação externa com maior adesão dos seus alunos seja o Enem.

Por um lado, é claro que você pode pedir o gabarito de todos os alunos para avaliar os erros e acertos, mas vai dar um belo de um trabalho. Além disso, o que garante que os erros de uma turma são, com toda certeza, consequência da maneira como a aula foi dada? Pode ser que tenha sido apenas uma questão muito difícil, na qual o erro da maior parte dos alunos seja natural.

Por outro lado, existem ferramentas que podem te ajudar bastante nessa tarefa. Elas trazem os dados “mastigados”, com análises feitas a partir de recortes específicos dos alunos da sua escola.

Uma dessas ferramentas é o Módulo Enem,  que apresenta um relatório chamado “Evolução do Desempenho Agregado”. Nesse relatório, as questões do Enem são agregadas em objetos do conhecimento (conteúdos) ou em habilidades. Adicionalmente, é possível visualizar o desempenho ao longo dos anos e compará-lo com desempenhos de outras escolas.

Veja só:

No gráfico, a curva escura representa o aproveitamento da minha escola em um determinado tema. Desde 2013 (à exceção de 2015), meus alunos vem apresentando aproveitamento muito baixo nesse tema. Um comportamento tão consistente ao longo do tempo pode ser associado à pratica docente. Afinal, independente da turma, os alunos estão desempenhando mal nesse tema. Se fosse um comportamento isolado, como o que aconteceu em 2015, eu até poderia pensar em uma turma com mais facilidade ou questões mais fáceis.

Observando a curva mais clara, que representa uma escola concorrente, é ainda possível perceber que esse tema é muito melhor desempenhado por ela. Isso pode representar um fator importante na diferença de desempenho entre as escolas na avaliação como um todo.

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