Especial

Avaliação Diagnóstica Enem

Identificando necessidades de aprendizagem

 

Não conhece a série ou perdeu algum material? Navegue pelo sumário abaixo e fique por dentro sobre como montar uma Avaliação Diagnóstica Enem na sua escola.


 

No texto anterior, destacamos a importância de limitar a abrangência da avaliação diagnóstica Enem. Agora, escolhidos os tópicos que serão abordados, está na hora de pensar nas questões Enem que serão utilizadas.

O que é uma questão Enem

No Enem, as questões são chamadas de itens. Elas recebem esse nome, pois seguem uma série de normas de formato e atendem a uma série de critérios estatísticos.

Na avaliação diagnóstica que estamos elaborando, os critérios estatísticos da TRI serão deixados de lado. Não se preocupe, isso não comprometerá o diagnóstico da turma. Deixar de lado a TRI só significa que não teremos uma nota na mesma escala do Enem e que não gastaremos tempo e dinheiro com softwares específicos necessários para esse tipo de análise. Na avaliação diagnóstica Enem, faremos uma pequena análise estatística, chamada de TCT. Nossa análise TCT será realizada após a aplicação da avaliação para desconsiderarmos as questões que não serviram para o nosso propósito. Vamos deixar para falar mais sobre isso no texto “A TRI não é a única forma de analisar uma questão Enem”.

Não conhece os parâmetros estatísticos da TRI? Veja aqui!

Para a elaboração da avaliação diagnóstica Enem, temos duas alternativas: usar itens de edições anteriores do Enem ou elaborar questões Enem.

Questões Enem de edições anteriores

Usar questões de edições anteriores do Enem é certamente a alternativa mais fácil. Como vantagens podemos citar o fato de elas já estarem prontas e de você ter certeza de que elas obedecem às tais normas de formato que são necessárias – desde 2009, o exame já abrigou quase 2000 questões.

No entanto, usar questões de edições anteriores do Enem também possui desvantagens. A primeira delas é que você corre o risco de a questão não ser inédita para os alunos. Em outras palavras, isso significa que se, em algum momento, o aluno viu a questão (em um material ou em aula, por exemplo) e se lembrar da resposta, o resultado da avaliação diagnóstica lhe dirá que o aluno sabe resolvê-la, quando, na verdade, ele só memorizou o gabarito. A outra desvantagem de utilizar questões Enem de edições anteriores é que você perderá uma ótima oportunidade de entender um pouquinho mais sobre o exame por meio da elaboração de um item.

Supondo que, após julgar os prós e contras, você tenha optado pelo uso das questões Enem de edições anteriores, onde encontrá-las?

Módulo Enem

A nossa primeira sugestão é aquela em que você terá menos trabalho. Se a sua escola possui a ferramenta Módulo Enem, basta acessar o relatório “Simulador”. Nele, você encontra as questões de todas as edições anteriores do Enem já separados por objeto do conhecimento ou habilidade. Basta localizar o tópico que deseja avaliar e selecionar as questões que deseja utilizar na prova.

Sugerimos que você foque nas questões de edições mais antigas, pois a chance de os alunos já conhecerem a questão será menor.

Internet

Todas as questões de edições anteriores do Enem estão disponíveis na internet. No site do exame, você pode escolher qualquer edição e ter acesso à prova completa.

Uma dica é que, nesse site, estão disponibilizadas também as provas aplicadas para as pessoas que cumprem pena de privação de liberdade. Elas são conhecidas como “2º aplicação” e suas questões são bem menos divulgadas do que as do exame convencional.

Se optar por procurar as questões Enem na internet, é bom lembrar que caberá a você julgar se a questão se adéqua ao que você deseja avaliar na avaliação diagnóstica Enem. Embora possa parecer fácil, essa tarefa exige muita atenção e treinamento.

Elaborar questões Enem

Se você decidiu partir para a elaboração das questões, vamos destacar aqui as principais características que sua questão deve ter. Caso queira se aprofundar mais no tema, experimente baixar o nosso e-book – especialmente a partir da quarta etapa descrita no livro.

O primeiro passo para elaborar uma questão Enem é decidir qual habilidade ela avaliará. Cada questão deve avaliar uma única habilidade. Se uma questão estiver avaliando duas coisas e o aluno a errar, nunca saberemos qual das duas coisas o aluno não domina.

 

Decidida a habilidade, devemos separar a questão em três partes:

1 – Texto base

Em relação ao texto base, deve-se decidir se o texto será de autoria própria ou se serão utilizados textos de outros autores (mais indicado).

O texto base deve ter a clara função de contextualizar e apresentar uma situação. Um erro muito comum é querer ensinar um determinado conceito no texto. Se é esperado que o aluno já saiba esse conceito, isso não deve estar no texto base. Deve-se focar apenas na apresentação da situação.

Veja abaixo dois exemplos.

 

 

“Uma porcentagem é calculada a partir da divisão de uma parte pelo todo…”  ➡ Já esperamos que o aluno saiba calcular porcentagem. Essa explicação não deve aparecer no texto base.

 

“Uma pesquisa sobre o perfil dos fumantes mostrou que, num grupo de 1000 pessoas, 70% fumam e, dentre os fumantes, 44% são mulheres.”.  ➡ Bom exemplo de texto que se limita à situação.

 

 

Outra coisa muito importante é que o texto deve ser adequado ao tempo. O aluno tem, em média, 3 minutos para resolver a questão. Assim, não se recomenda uma situação muito complexa ou um texto muito longo.

2 – Enunciado

Após a elaboração ou escolha do texto base, devemos partir para o enunciado.

Nesta etapa, é fundamental a atenção na habilidade que será avaliada. A partir de um texto base, inúmeros enunciados podem ser elaborados, mas não necessariamente eles buscarão avaliar a habilidade selecionada.

Seguindo o exemplo anterior, podemos ter os seguintes enunciados:

 

 

“Qual é a porcentagem de pessoas fumantes?” ➡ Neste caso, seria avaliada a habilidade do aluno em identificar uma informação explícita no texto.

 

“Quantos homens fumantes existem no grupo?”Neste caso, seria avaliada a habilidade do aluno em usar conhecimentos de porcentagem para resolver um problema.

 

 

Outro ponto de atenção são as pegadinhas. Embora elas sejam comuns em concursos ou vestibulares, na avaliação escolar devemos evitá-las, pois não estamos testando a atenção do aluno e sim seu domínio em uma habilidade. Exemplos muito comuns de pegadinhas são enunciados sobre exceções ou que trazem expressões como “exclusivamente, somente, nunca, sempre, etc”.

De forma geral, o enunciado deve ser curto e claro, sem novas informações ou explicações sobre o texto.  Veja mais um erro comum:

“Considerando a pesquisa realizada com 1000 pessoas de ambos os sexos dentre as quais algumas são fumantes e outras não….” ➡ Esta explicação é desnecessária.

3 – Alternativas

Tendo o texto base e o enunciado definidos, chegou a hora de pensar nas alternativas. Na questão Enem, devemos sempre elaborar cinco alternativas e apenas uma delas deve ser correta. É importante que as alternativas incorretas apresentem raciocínios plausíveis para um aluno que não domina a habilidade.

Seguindo o exemplo:

Enunciado: “Quantos homens fumantes existem no grupo?”

 

 

“700”Alternativa errada e plausível. O aluno calculou o número de fumantes sem considerar o gênero.

 

“2000”Alternativa implausível, pois traz um número superior ao número de entrevistados.

 

 

Alternativas implausíveis são descartadas pelos alunos. Assim, um aluno que não sabe resolver o problema tem maior chance de acertar a questão apenas chutando uma das outras alternativas.

Outra coisa que você jamais encontrará em questões Enem são aquelas típicas alternativas como “todas as anteriores” ou “as alternativas A e B são corretas”. Isso porque o que queremos é identificar exatamente qual foi o erro de um aluno ao assinalar uma determinada alternativa.

 

Próximos Passos

Independente do caminho que você escolheu, no fim desta etapa você deverá ter as questões que deseja utilizar na avaliação diagnóstica Enem. No próximo material, você verá que a elaboração da avaliação não deve ser a simples junção de um grupo de questões e que existem critérios a serem respeitados.

Acesse também outros materiais da série! 


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