Você já viu aqui neste post que a Tuneduc recebeu em sua sede três professores do Ensina Brasil, para um estágio de verão. Como resultado tivemos muitos insights para melhorar ainda mais a plataforma Foco Brasil, entendemos as necessidades dos professores e principalmente como uma gestão baseada em dados tem melhorado de fato a aprendizagem dos alunos.

Hoje, você vai ler o emocionante relato da Ana Luiza Prado, professora de português da rede estadual do Mato Grosso do Sul. Em seu texto, ela discorre sobre a importância de entender o contexto social em que os alunos vivem, como ele influencia a aprendizagem e como os dados da plataforma Foco aprimoraram sua abordagem em sala de aula. Confira:

Relato de experiência de uso da plataforma:

Oi gente!

Eu sou Ana Luiza, e fui professora de Língua Portuguesa na rede estadual do Mato Grosso do Sul. Minha primeira formação não foi ligada à educação. Eu me formei em Relações Internacionais na UnB. Fiz essa faculdade, porque queria mudar o mundo. Simples assim. Muita coisa errada nesse mundão que precisava de conserto. Só que em meio aos estudos de guerras, políticas e tratados internacionais ninguém falava de pessoas, de crianças, de esperança. Não pareciam ser aqueles estudos que iriam transformar o mundo do jeito que eu queria.

E aí, fiquei perdida. Naquele momento de indefinição no final da graduação, a pergunta “o que você vai fazer quando crescer” parece mais um filme de terror do que uma pergunta infantil despretensiosa. Nesse período, resolvi fazer um intercâmbio. O país e o setor foram escolhidos quase que por acaso (ou destino – depende do que você acreditar). E, assim, fui para uma escola lá na Tailândia. 

Quando eu pisei na sala de aula, logo percebi que era ali que se mudava o mundo. Uma criança de cada vez. Eu poderia ter percebido isso na escola do meu bairro, mas eu precisei do choque de realidade para entender o que sempre esteve na minha frente. Afinal, educação era o caminho que eu buscava. Voltei, decidida a trabalhar com isso.

Prestei o processo seletivo do Ensina Brasil, que seleciona pessoas de diferentes graduações para dar aula em escolas públicas vulneráveis. Assim, fui parar em uma escola na periferia de Campo Grande. Eu que pensava que conhecia educação com base em inúmeros relatórios que li, fiquei assustada com minha ignorância.

“Saber a taxa de analfabetismo não se compara a conhecer um aluno que não sabe ler. Os dados ganharam um rosto, uma família, uma história. Cada dado abaixo da meta era um futuro que estávamos limitando, era uma criança com menos oportunidades.”

Cada dia mais eu estava convencida que educação mudava o mundo, mas estava ficando igualmente convencida que mudar a educação era uma missão difícil. Mas aqueles meus alunos deram mais que rostos para os meus dados, eles me deram um motivo para continuar na batalha por uma educação melhor. Eles me deram força para continuar na educação, mesmo parecendo tão complicado. Mas como planejar? Como ensinar alguém a ler? Como garantir que essas habilidades serão úteis ao fechar o contrato do banco, ao assinar o financiamento de sua moto, ao ler as propostas de um prefeito?

Nesse contexto, fui apresentada à plataforma Foco no Estudante. Com a plataforma pude entender exatamente quais eram as deficiências de leitura dos meus alunos. Assim, comecei a planejar baseado nos descritores que meus alunos iam mal, escolhi algumas habilidade para priorizar no meu planejamento mensal. O meu planejamento começou a olhar mais para os meus alunos e sua capacidade de leitura. Percebi, que para ensinar alguém não se deve olhar cegamente para o currículo, se olha para onde nossos alunos estão hoje e onde queremos levá-los.

Ver alguém aprendendo é uma das sensações mais incríveis que se pode ter – aquele olhinho brilhando com o qual todo professor já se alegrou. Com a Foco, eu pude ter uma sensação ainda mais legal: saber que estamos planejando olhando para as reais necessidades daqueles alunos e por habilidades que vão ajudá-los a ler melhor e a compreender melhor o mundo em que vivem.  O olhinho brilhando no final era a cereja do bolo, era a sensação de um trabalho bem-feito.

Isso não tem preço. E hoje, se eu me encontrasse com minha versão criança, ia dizer que sim, estamos mudando o mundo. Mas de um jeito que o meu mini-eu jamais teria imaginado: olhando para uma turma, um aluno de cada vez.

Ana Luiza Prado, foi professora em uma escola estadual Izaura Higa em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Compartilhe

Acompanhe a Tuneduc nas redes

Leia mais no blog